Entrevista - CH (baixista do Retrofoguetes)
Por Ramon Prates
Esse ano sem dúvidas foi muito importante para o Retrofoguetes, que finalmente lançou o seu segundo cd. O BahiaRock trocou uma idéia com o baixista CH sobre o show no TCA, shows pelo Brasil e sobre a festa de natal da banda. Confiram!
Lançar o cd no TCA foi um momento histórico. Contem como surgiu essa oportunidade.
CH: Sempre que falávamos em um lançamento local eu sonhava alto e dizia: -"TCA!" Acho que o pensamento do grupo sempre convergia naquilo. Parece-me que o positivismo do pensamento em relação a isso o transformou em realidade. Mas não adianta apenas pensar, é necessário agir também. Entramos em contato com a produção do teatro e demonstramos nosso interesse nessa realização. Meses depois estávamos em uma van a caminho de um show em Aracaju quando recebemos um telefonema deles nos falando que havia uma pauta livre para a gente dentro do projeto "Domingo no TCA". A notícia era incrível, porém o prazo era curtíssimo; teríamos apenas um mês para cuidar daquela produção. Esse é um tipo de produção que envolve mil planejamentos e normalmente requer alguns meses de antecipação. Nosso produtor João Carlos na ocasião tinha acabado de sofrer um acidente e tinha as duas pernas quebradas. Já imaginou isso? Coordenar um show desse porte com mil afazeres e prazo curtíssimo numa cadeira de rodas? Trabalhamos arduamente em equipe, perdemos muitas noites correndo contra o tempo, escolhemos alguns dos melhores profissionais da nossa área, contamos com o apoio e suporte do teatro e no final o show foi um sucesso. Nos sentimos muito realizados afinal.
Como surgiu a idéia de convidar a Orquestra Rumpilezz para participar do cd?
CH: Tivemos a oportunidade de conhecer o maestro Letieres Leite numa apresentação de uma das edições do Prêmio Braskem no próprio TCA. Fernando Guerreiro fazia a direção do espetáculo e tinham várias atrações intercaladas, a gente entre elas. No último número ele juntou Retrofoguetes com Rumpilezz e outros artistas para interpretar o "Hino ao 2 de Julho". Depois nos bastidores conversávamos com o maestro sobre música, orquestras de mambo e coisas que gostávamos de ouvir. Foi quando ele disse que já nos acompanhava e era fã do nosso trabalho. Nós também já gostávamos muito do trabalho da Rumpilezz, achávamos aquilo incrível e descobrimos algumas influências em comum. Então falamos sobre um mambo que havíamos composto e ele se interessou em trabalhar conosco naquela música. Entramos em estúdio e o maestro escreveu os arranjos de sopro e dirigiu a orquestra, o resultado foi "Maldito Mambo!", música que posteriormente nos rendeu o prêmio de "Melhor Arranjo" no Festival de Música da Educadora. Gostamos muito do maestro Letieres Leite e temos muita admiração e respeito por ele.
Como tem sido a recepção do show com as novas músicas fora da Bahia?
CH: Temos tido dificuldade em sair do palco, o público não deixa (risos). As pessoas têm gostado muito desse novo trabalho, estamos viajando constantemente por todo o país e em muitos festivais já somos eleitos pelo próprio público como uma das grandes atrações. No Festival Se Rasgum em Belém/PA a produção chegou a receber mais de 60 e-mails comentando sobre Retrofoguetes. Em Natal o comentário era de que a atração internacional veio antes dos gringos (tocamos antes de Danko Jones, do Canadá). São palavras do próprio público, não minhas. Em Belo Horizonte, capital brasileira da Surf Music, somos tratados com imenso carinho pelas pessoas que frequentam nossos shows. Em Aracaju tocamos por três horas e meia e o show só acabou porque resolvemos fugir (risos). As pessoas não queriam que o show acabasse nunca!
Após ter tocado nos principais festivais de música independente do país existe chance da banda tocar fora do Brasil?
CH: Estarei representando a banda agora na Feira Música Brasil/Recife em rodadas de negócios com agentes de turnê gringos. É o próximo passo, com certeza. Gostaríamos imensamente de fazer Argentina, Chile, Europa, Austrália, Japão, enfim, são trabalhos que pretendemos prospectar para nossa carreira, mas que necessitam de uma articulação grande e bem planejada. Mas estamos na meta.
Esse ano o prêmio VMB da MTV Brasil criou uma categoria de música instrumental e a banda foi indicada. Isso é um sinal que o gênero está crescendo no país?
CH: Sim, o trabalho daquelas bandas dentro da cena brasileira (Pata de Elefante, Retrofoguetes, Hurtmold, Macaco Bong) trouxe uma grande visibilidade ao gênero Instrumental Rock. Existe muito trabalho e muito cuidado em tudo o que esses grupos fazem. Em conversas que tivemos com integrantes do Pata e do Macaco Bong, percebemos que se qualquer uma dessas ganhasse, a justiça estava feita e todos estariam realizados. E foi assim mesmo. Foi uma vitória de todos nós. Viva o Pata de Elefante, Macacos: "Artista é Igual a Pedreiro" mesmo. Estamos juntos na luta. Hoje existe em SP um festival especializado em música instrumental, o PIB - Produto Instrumental Bruto. Todas essas bandas já participaram. Em nossa noite (Aquáticos) recebemos o prêmio de melhor show. Fomos convidados para a edição de 2010 como banda madrinha, uma honra pra gente. Existem muitas bandas em todo o país realizando excelentes trabalhos. Vendo 147(BA), Aerotrio (PB), Reverba Trio(RS), Fantasmagore (RJ), para citar algumas.
A banda é responsável por festas que se tornaram anuais como Retrofolia e o Natal do Retrofoguetes. Quais as novidades pro Natal desse ano?
CH: Esses eventos já se tornaram tradicionais em nossa agenda anual. O Natal parte para sua quinta edição, o Retrofolia subiu ao Trio Elétrico no Carnaval desse ano. A Festa de Natal terá decoração temática, Papai Noel Rock, temas natalinos interpretados pela banda, convidados especialíssimos, sorteios de brindes, será uma grande festa de confraternização.
Links:
http://www.fotolog.com/retrofoguetes
http://www.retrofoguetes.com.br
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