Palavras por Bruno Guimarães | Imagens por Rafael Passos
Grito do Rock, João Pessoa. Quem compareceu à Praça Antenor Navarro na sexta-feira (26) pode presenciar um evento da cada vez mais efervescente e diversificada cena de rock em João Pessoa. Uma cena em que não apenas as bandas protagonizam, mas também o público. E este compareceu em ótimo número ao local e viu um pouco do que João Pessoa, Campina Grande e Fortaleza têm de melhor. Público interessado e disposto a enfrentar uma maratona de shows com 10 bandas, divididas em palcos distintos, na Praça Antenor Navarro e dentro do Espaço Mundo.
Em 2010, o Grito do Rock- João Pessoa, cresceu e se solidificou. Buscou apoios, e fez ecoar o seu “grito” em patamares inéditos. Contando com variadas parcerias, dentre elas a Funjope, o Coletivo Farol e Natora, A parceria com a Funjope permitiu que o evento não estivesse restrito apenas a um local de shows. Nem somente a um palco. O Grito do Rock, este ano, está integrado à programação do Circuito Cultural das Praças de João Pessoa. Haverá, portanto, gritos aqui e acolá. Gritos de quinta-feira no Ponto de Cem Réis, com as bandas Cabruêra e Reis da Cocada Preta. Gritos desta sexta, com o primeiro dia de shows na Praça Antenor Navarro e no Espaço Mundo. E gritos de sábado, nestes mesmos locais, e em Mangabeira, Bancários, Bessa, Funcionários I e II e Alto do Matheus, integrando o Circuito das Praças.
A noite de sexta-feira ficou marcada pelo ressurgimento de um antigo palco de eventos da cidade: A Praça Antenor Navarro. Há pouco tempo atrás, era ali que aconteciam os principais eventos da cidade: São João, Carnaval, festivais organizados pela Prefeitura, e tantos outros. Após a reforma do Ponto dos Cem Réis, com uma área consideravelmente maior, boa parte dos eventos, antes organizados na Antenor Navarro, migrou para lá. Mas antes que esta praça, com seus simpáticos e multicoloridos casarões pudesse ser esquecida pela população local, o Grito do Rock e o Espaço Mundo a resgataram, provando que ainda pode receber e – comportar- eventos de médio a pequeno porte.
O evento começou pouco depois das 19 horas, no Espaço Mundo. E quem ficou responsável por abrir a série de shows no local foi a campinense Sex on The Beach. Vinda das “praias” de Campina Grande o grupo, instrumental, executou o bom e velho surf music na noite quente de João Pessoa. Mostrando apuro instrumental, a banda agradou ao público que começava a se formar no Centro Histórico. Em seguida, no mesmo palco, foi a vez da sempre competente Retaliação, esbanjando fúria e contestação, com um rock predominantemente engajado.
A partir das 21 horas, iniciaram-se os shows do lado de fora, na Praça Antenor Navarro. E quem começou a mostrar seu trabalho foi Seu Pereira e Coletivo 401. Formada por músicos competentes e tarimbados da cidade (todos eles fazem parte da prestigiada Chico Correa & Eletronic Band, e de outros projetos), a banda apresentou um repertório afiadíssimo, com apuro pop, associado a ritmos regionais e ao bom groove do funk.
Novamente no palco do Espaço Mundo, foi a vez da banda Blue Sheep. Um autêntico Power trio, antes totalmente feminino, mas hoje contando com a participação de Rayan, da banda Nublado, a banda mostrou um repertório com alguns clássicos do rock e do hard blues e músicas autorais. A confiança e atitude da banda – mesmo sendo formada, principalmente, por jovens garotas com pouco tempo de estrada- emprestam um charme indefectível ao grupo, com material novo recém lançado (e alvo de muitos elogios).
Quem também está com EP novo no mercado é o Gauche, a segunda atração da noite no palco da Antenor Navarro. Mostrando um som que passeia pelo folk rock e a psicodelia dos anos 60, e o brit pop dos anos 90, o grupo é uma das mostras da diversidade de sons e de estilos que tem tomado conta da cena de rock de João Pessoa nos últimos anos.
Em seguida, entra no palco do Espaço Mundo Afetamina. Letras recheadas de humor sarcástico, com um som de garagem, pesado, e incansavelmente punk. Já no palco da Antenor Navarro, a Cerva Grátis não deixou o clima esmorecer. Rock beberrão, como eles mesmo se auto-definem, mas cada vez mais competente e bem produzida, a banda encarna o bom espírito do rock despojado (mas não despretensioso).
Para encerrar os trabalhos no palco do Espaço Mundo, apresentou-se a banda Post Morten, de Campina Grande. O nome, pesado e sombrio, reflete naturalmente as suas referências- que vão do Death ao Thrash Metal. A banda tem cinco anos de existência e experiência para dar e vender, tendo participado de inúmeros festivais.
No encerramento da noite, ainda na atmosfera do Metal, apresentaram-se respectivamente Soturnus e A Trigger to Forget. A primeira, com 10 anos de estrada, com uma afiada sonoridade e com um ótimo registro fonográfico para mostrar – o CD “When Flesh Becomes Spirit”, de 2006. A cearense A Trigger to Forget foi a última a entrar no palco, mostrando o seu repertório avalizado em uma turnê pelo Nordeste, além de outros eventos.
Madrugada de sábado adentro, a primeira noite do Grito do Rock se encerrou. Com ótimo público e atrações que apresentaram diversidades para variados gostos, o evento deixou uma ótima impressão e uma boa expectativa para os shows de sábado, que acontecerão novamente na Antenor Navarro, e no Espaço Mundo, a partir das 19 horas.
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